“Alinéa 3″: A Tourada Exposta em Todo o seu Horror
Clique aqui para ver “Alinéa 3″, um vídeo produzido por Jérôme Lescure e pelo Comité Radicalement Anti-Corrida, de França, que documenta a violência extrema a que são submetidos os touros e os cavalos nas diversas formas de touradas, mostrando imagens captadas em Espanha e em touradas no Sul de França em 2004. As mesmas imagens poderiam ter sido captadas em muitas zonas de Portugal. Este vídeo prova que o único acto decente a tomar acerca do crime moral que as touradas constituem é proibi-las imediatamente e sem hesitações. (15 minutos)
[Via ANIMAL]

July 3rd, 2007 at 9:29 pm
Sou brasileiro, gaúcho natural de Porto Alegre, e vivi na Espanha por 2 anos, durante os quais assisti diversas vezes as touradas ao vivo e algumas vezes pela televisão.
Antes de expor minha argumentação, gostaria de informar que no Brasil as touradas não existem, e a constituição brasileira proíbe de forma veemente todo e qualquer maltrato contra animais.
Durante minha estada na Espanha eu me maravilhava com a beleza das touradas, os passos e as esquivas dos toureiros, mas desde o início, havia um aspecto da tauromaquia que me incomodava, que era a presença dos “picadores” (não sei como se chamam em Portugal, mas picadores é como são chamados na Espanha estes senhores lanceiros que, covardemente, espetam o touro em seu dorso montados em um cavalo encarapuçado).
Na minha opinião, aquilo de “picar” o touro para “abrandá-lo” denegria o espetáculo e desmerecia a coragem do toureiro (toreador), pois se notava claramente que o touro, tão viril, ágil e impetuoso na sua entrada na arena, se tornava outro após ser “picado”: ele invariavelmente ficava cansado, lento, e como dizemos aqui no Brasil, “molenga”. Os fãs locais, entendidos da tauromaquia, me explicavam que era necessário “ablandar el toro para poder lidiarlo”. Essa foi minha primeira decepção quanto às touradas.
Naquela época, eu achava que matar os touros era algo errado, mas justificável, pois de qualquer modo era melhor morrer lutando do que morrer no abatedouro. Apesar disso, me parecia desnecessário matar os touros, pois eles poderiam muito bem ser reaproveitados na tauromaquia, após recuperarem-se de seus ferimentos.
Pouco a pouco, conforme fui me informando sobre outras práticas comuns da tauromaquia, mas que não são levadas a público, fui mudando de opinião. Descobri que muitos touros são drogados antes de entrar na arena. Que em algumas “plazas”, seus chifres são lixados, serrados ou limados para reduzir o risco de ferimentos no toureiro. E que, ao longo da segunda metade do século XX, diversas práticas como as acima citadas foram sendo implementadas para reduzir ao mínimo as chances de o toureiro se ferir.
Hoje, sou contra as touradas em sua forma atual, seja em Portugal, na Espanha ou em qualquer país do mundo. Aqui no Brasil, apesar da severidade da legislação, existem em pequenas cidades de certas regiões, festas chamadas “farra do boi” nas que os animais são maltradados e em seguida soltos no centro para que a plebe os provoque e fuja, tal como ocorre no interior da Espanha.
Estas práticas são de moralidade duvidosa (observe-se que na Farra do Boi brasileira nenhum animal é abatido por diversão). Mas nenhuma delas é tão covarde quando as touradas em sua forma atual, nas quais o touro é drogado, serrado, “espetado” e praticamente não tem chances de se defender na arena. É absurdo permitir que estes animais tão belos, fortes, viris e ágeis continuem sendo abatidos de forma covarde e impiedosa.
Não acredito que a proibição sumária das touradas seja a solução. Não concordo com nenhum fanatismo, seja um fanático contra, que deseja sua proibição absoluta, ou um fanático a favor das touradas, que deseja ver permitida a continuidade desta barbárie.
Acredito que as touradas deveriam ser reformuladas.
Sem morte, sem picadores, sem drogas, sem maltratos, sem chifres serrados. O leitor agora deve estar se perguntando: “Muito bem, mas sem isso tudo, o que vai sobrar das touradas?” Respondo: sobrará um animal belo e majestoso, e somente homens de real coragem e habilidade ousarão entrar na arena com estes animais.
Quem já assistiu um espetáculo de recortadores? Estes sim são verdadeiros artistas: habilidosos, ágeis e corajosos, e acho que sua prática pode servir de exemplo para um novo caminho a ser tomado pela tauromaquia. Não quero dizer que veremos os atuais toureiros despidos de suas vestimentas tradicionais, dando saltos mortais e piruetas, mas que vejam o exemplo de como um espetáculo sem violência pode ser interessante.
Esta é minha posição: Retirem as drogas sedativas, as lanças, e quaisquer elementos perfurantes ou que possam reduzir as chances do touro. Retirem a morte e os maus tratos, e deixem que o espetáculo seja somente um animal selvagem e um homem com uma grande flanela vermelha, e verão desaparecerem os inimigos das touradas.
PS: é interessante como o ser humano é volúvel e sucessível à influência das massas. Nas primeiras touradas de nossas vidas, minha namorada e eu íamos lá para torcer para o touro, loucos para ver o sangue to toureiro derramando. Por mais sádico que isso pareça, era uma maneira de dizer “quem mandou ir lá se meter com um touro de 500kg?”. Mas depois de muitas touradas, me surpreendi ao dar-me conta de que eu estava lá torcendo para o toreador, para que ele conseguisse uma boa apresentação e ganhasse uma orelha.
É preciso ter cuidado com o que desejamos, e muito mais cuidado para que nosso desejo não seja apenas o fruto da influência da maioria.
July 3rd, 2007 at 11:16 pm
Eduardo
Obrigado pelo seu texto, pela análise lúcida e equilibrada da situação.
É muito útil ouvir alguém que está de fora porque muitas vezes os vícios da nossa própria sociedade não nos permitem ver com clareza e isenção aquilo que olhamos.
Cumprimentos
July 15th, 2007 at 6:41 pm
vai para a tua terra volta para casa! esta e a nossa tradição e a nossa cultura nao gostas muda se nao tapa os olhos!
Não vou para o brazil falar da tua cultura!
ole!!
July 15th, 2007 at 10:12 pm
Touro Bravo
Não sei se sabes mas os Portugueses é que foram para o Brasil. Por isso é que lá se fala Português, e por isso é que temos muitas coisas comuns em termos de cultura. Felizmente os Brasileiros foram suficientemente inteligentes para não conservar tradições que não têm intreresse e envolvem o desrespeito por princípios mais importantes, como acontece nas Touradas.
Quanto a esta ser a nossa cultura, fala por ti. Esta NÃO É a minha cultura. Envergonho-me desse atraso cultural que é a tourada, e orgulho-me em pensar que a MINHA cultura tem outros valores, muito diferentes dos que transparecem nesse circo humilhante.
Esta NÃO É a nossa cultura. É apenas a tradição de ALGUMAS pessoas que se recusam a reflectir, crescer e a evoluir.
E mais uma coisa, “Touro Bravo”: No teu estábulo mandas tu. Aqui mando eu. E qualquer pessoa, independentemente da sua nacionalidade, está convidada a dizer o que pensa e a contribuir com pensamentos interessantes, inteligentes e evoluídos.
Não foi o teu caso, mas agradeço a tentativa, de qualquer forma.
August 8th, 2007 at 6:38 pm
Eu gosto de ver touradas à portuguesa ou à antiga Portuguesa. Não gosto das touradas espanholas, e, não acho graça nenhuma aos picadores, que além de não incutirem beleza nenhuma na tourada, só servem para massacrar o animal. Para mim, o ideal seria pôr uma protecção no dorso do animal para cravar as bandarilhas e não o ferir. Se isso acontecesse, não deixaria de haver cavaleiros, toureiros e outros que poderiam à mesma mostrar a sua valentia nas touradas.
August 13th, 2007 at 10:44 pm
“A tradição é a personalidade dos imbecis”, Albert Einstein.
Não é necessário dizer mais nada…
Pelo fim das touradas em Portugal!
August 14th, 2007 at 12:42 pm
Rui neste blog mandas tu, ok tens razão e no teu bordel de paneleiros tambem mandas tu ok.
No estabulo do Touro Bravo manda ele ok.
Mas Rui responde-me a uma coisa, tu és um homem do Futuro?
Porque eu não conheço niguem que não siga uma qualquer tradição.
VIVAS AS TOURADAS
August 25th, 2007 at 1:30 am
Caro “Toureio”
Não sei se tencionavas utilizar algum desses serviços, ou apenas candidatar-te a um emprego, mas lamento informar-te que não estou no ramo dos bordéis. Não sei de onde terás tirado essa suposição.
Quanto a homossexuais (este é o termo correcto, como terias aprendido se tivesses ido à escola) dizem que nas Touradas há muitos. Mesmo toureiros. Por isso podes começar por aí.
Em relação à tua pergunta, posso dizer-te que EU não sigo nenhuma tradição sem reflectir sobre ela e sem ter a consciência do que isso implica para mim e para os outros.
Se não entendeste posso voltar a explicar: Não sou contra as tradições. Sou apenas contra aquelas que provocam sofrimento e que passam por cima de valores bastante mais importantes. As tradições não são tudo, como se prova por todas as que foram sendo abandonadas ao longo da História.
Já agora, no teu estábulo quem é que manda? O teu dono?
August 27th, 2007 at 12:48 pm
Caro Homossexual
Esta é forma correcta de escrever?
Só não sei porque demora tanto tempo um comentario a entrar, será porquê o teu bordel de HOMOSEXUAIS esta cheio, será por isso.
Quanto a ir a escola infelizmente não tive oportunidade, mas sempre dá para te ensinar umas coisas.
Em questão á tua proposta de emprego não aceito, visto não partilhar das mesmas opções sexuais (HOMOSEXUAL) que tu.
Tu não deves fazer mais nada na vida sem ser pensar, em tantas e tantas atitudes que nós tomamos estamos a seguir tradições sem sequer pensar, ou não será verdade?
Já agora em minha casa mando eu, já que não vivo num estábulo ou curral como tu.
E as Touradas seja em Portugal seja onde for, já mais irão acabar mesmo com animais como vocês do lado dos touros, e se não estão atentos qualquer dia quem é corrido és tu e os teus.
E quanto a haver HOMOSEXUAIS nas touradas só significa uma coisa TU também pertences ao mundo da TOUROMAQUIA.
VIVA AS TOURADAS
August 27th, 2007 at 8:26 pm
Toureio,
Compreendo que sejas ignorante, mas isso não justifica que sejas tão parvo.
Ainda não vi nada que me possas ensinar. Só se fôr a ser burro, arrogante e mal educado.
A verdade é que não sabes ler, não sabes escrever e não sabes pensar. O que nem seria grave se não fosses tão mal-formado.
Não sabes ler, porque não te propus emprego nenhum.
Não sabes escrever, porque “homossexual” tem dois “esses”.
Não sabes pensar porque achas que as tradições não acabam, contrariamente ao que a história nos ensinou. Estás a ver porque é que a escola é importante?
Se pensas que as tradições existem para não termos que pensar, enganas-te. As tradições não servem para substituir o raciocínio. Para além disso já te expliquei que não sou contra as tradições.
Seres ignorante já é suficientemente mau. Mas não teres consciência disso, como demonstras com essa arrogância, só faz com que não evoluas, aprendas e te tornes uma pessoa melhor.
September 3rd, 2007 at 3:54 pm
Caro Rui
Deves ser Burro e não entendes, eu já te disse que infelizmente não tive oportunidade de ir á escola.
Quanto ao que te posso ensinar podes perguntar o que quiseres que eu ensino algumas coisas.
Mas escuta lá meu Homossexual tu que te dizes defensor dos animais não gostas dos Burros.
É porque para me estares a chamar Burro quer dizer que me adoras.
Já te disse que não sou Homossexual.
VIVA AS TOURADAS
September 5th, 2007 at 4:19 am
Toureio
Se o teu objectivo é que eu tenha pena de ti porque não foste à escola, podes já parar com a propaganda.
É que não ir à escola não te diminui como pessoa. Pode acontecer a qualquer um e nunca serás criticado por isso. O que te diminui é seres parvo, arrogante e mal-educado.
Parvo, porque te pões com piadas de burros e homessexuais que não têm piada nenhuma (e se não são piadas, mais parvo és)
Arrogante porque dizes que me ensinas o que eu quiser, quando ambos sabemos que isso não é possível.
Mal-educado, porque entras aqui logo a chamar nomes e palavrões.
O problema não é ser ignorante, é pensar que mesmo assim sabemos tudo, e que podemos ter opiniões sem pensarmos o suficiente sobre elas.
Eu não precisaria de ter ido à escola para te dar o seguinte conselho:
Faz aquilo que sabes fazer, e esforça-te por melhorar no que não sabes.
Tu estás a fazer o contrário.
Porque para aprender não é preciso ir à escola. Basta saber ouvir, e estar disposto a pensar.
September 7th, 2007 at 3:55 pm
Caro Rui
Eu não ando a fazer propaganda por não ter ido á escola, simplesmente disse a realidade.
Tu é que pensas por teres ido á escola és mais que alguém, enganas-te novamente.
Começando com os nomes que me chamas-te:
PARVO- És tu porque não sabes disfarçar os teus sentimentos HOMOSSEXUAIS, e o BURRO que há em ti.
ARROGANTE- Porque tentas dar a volta á conversa com mentiras.
MAL-EDUCADO Porque não consegues falar sem chamar nomes ás pessoas.
Ignorante és tu porque fizeste um blog de uma coisa do qual não percebes nada, depois queres dar lições a pessoas muito mais instruídas que tu.
Quando a conselhos eu não te queria dar nenhum mas visto que pensas ser o mais inteligente vou dar:
Antes de entrares em algo tenta saber o mínimo para não seres o palhaço da festa.
VIVA AS TOURADAS
October 30th, 2007 at 1:59 pm
Venho por este meio prestar homenagem ao TOURO BRAVO e a outros comentadores pro-touradas, pela espontaneadade, emocoes genuinas, e rigorosa analise deste tema.
As tecnicas de promocao de debate sao fantasticas.
Acima de tudo, diverte-me constatar que (infelizmente na nossa cultura) ainda se encontram individuos que resistem a uma sociedade civilizada e racional. Sem estes exemplares, eu nao teria a oportunidade de dar tao boas gargalhadas.
January 23rd, 2008 at 6:32 pm
fico chocado com este povo que se diz primeiro mundo praticando isto
que eles chaman de esporte isto e nogento ao enves de enfinhar estas
lanças nos tour deverian enfinhalas no rabo destes babacas
um pais onde se tem o menor indese de analfabetismo da europa
ridiculo como um governo permite uma imagen desta
aqui no terceiro mundo mesmo com todas as dificuldades que temos
não fasemos isto
August 13th, 2008 at 10:02 pm
Eu não sigo a tradição de torear. Não sinto prazer em ver bovinos morrendo, mas sigo a tradição de comer um bom churrasco.
Para ser frontalmente sincero, a relação natural do humano com o bovinos é uma relação na qual eles servem para nos alimentar. Os bovinos tem a carne tão suculenta e o leite nutritivo. E essa é uma relação natural que nenhum movimento é cpaz de deixar de constatar, concorde ou não.
Estamos inseridos em um sistema ecológiovo no qual uma espécie se alimenta de outra. E bovinos (queiram ou não) são alimento para a espécie humana.
Mesmo os vegetarianos comem outros seres vivos, inclusives pequenos seres do rteino animal que vem misturdos às verduras sem que percebam. Os fertilizantes utilizados na produção de vegetais também são derivados da pecuária, a qual mata milhões de bovinos cada ano.
Eu me conformo com a minha natureza humana. Como carne, não apenas por que gosto, mas também pela minha natureza enquanto espécie. Me alimento de carne de bovinos e para que isso possa acontecer é necessário alguém matá-los primeiro.
Os bovinos morrem em arenas são uma pequena parte. E por mais que seus companheiros e defensores aleguem um desequilíbrio entre as partes ele não é menor que em um abatedouro. Então proibir tourada antes de proibir a ingestão de carne é uma grande hipocrisia.
E proibir a ingestão de carne é uma violência contra a natureza humana enquanto espécie. Se por um lado há veganos que não comem carne por que não querem, e fascista seria uma lei para obrigá-los a comer carne igualmente tirãnica seria uma lei que obrigassem seres humanos comerem apenas vegetais, pois isso contraria a natureza da espécie, a qual é adaptada para comer carne, visando maiores chances de sobrevivência.
A tauromaquia queiram ou não os ativistas é parte de uma cultura. É uma cultur bárbara? Talvez… Mas a cultura dita “civilizada” também produz os seus males. E diga-se de passagem diversos deles são bem piores do que a diferença entre um bovino morrer na praça de touros ou em um abatedouro.
A Europa que se diz civilizada precisa parar com esse complexo de se envergonhar da Europa que dizem bárbara.
O europeu mediano não é menos bárbaro do que alguém que vive na África ou nas selvas amazônicas. Já estive nos três lugares e posso dizer isso. Então, amigos, não se envergonhem das touradas que acontecem em vosso continente. Na Amsterdã que se diz “civilizada” vi barbaridades bem piores.
August 14th, 2008 at 11:23 am
Caro Raoni
As conclusões que tiras das sociedades actuais podem estar correctas. Há muita coisa mal, muitas barbaridades, muitas coisas erradas, tanto na Europa como noutros continentes.
Mas isso quer dizer que não devemos corrigir nada? Que devemos parar de evoluir? Que não podemos achar que se uma coisa é errada deve acabar?
Se bem percebi o teu raciocínio, como a cultura dita “civilizada” tem muitos males, não há problema em haver mais uns, como o aplauso à tortura de animais.
Eu não penso assim. Para mim, tudo o que puder melhorar é bem vindo. Tudo o que transforme a sociedade na direcção que consideramos mais justa e correcta deve ser feito. E acho que todos concordamos que evitar o sofrimento deliberado dos animais é uma coisa boa e correcta. Ou não?
Para além disso, este não é um site sobre gastronomia, ou seja, se comes carne ou alfaces, não nos interessa. Isso é outro assunto.
Aqui falamos de espectáculos baseados no sofrimento de animais e no seu aplauso por quem acha isso legítimo apenas por diversão e “arte”.
August 17th, 2008 at 5:08 am
Olá Rui,
Aparentemente não compreendestes bem os meus argumentos. Em que parte do meu texto eu escrevi que “como a cultura dita “civilizada” tem muitos males, não há problema em haver mais uns, como o aplauso à tortura de animais”?
A minha visão sobre o assunto não é pró ou contra. É uma visão relativista, um visão crítica, e creia, no bom sentido, uma provocação.
Eu acho saudável a discussão, e também que pessoas mantenham um senso crítico em relação às touradas. Mas também penso que um bovino tombar pela mão do homem em um abatedouro ou fora dele não faz a menor diferença. Lendo um pouco sobre as touradas, fiquei surpreso ao saber que existe uma cadeia produtiva que movimenta milhões de euros. Não me cabe usar isso como justificativa, pois como já afirmei, não sou pró nem contra. Apenas considero haver hipocrisia na forma a questão é julgada. O bovino pode morrer pra garantir a riqueza do pecuarista e a carne no prato do cidadão. Mas não pode morrer para garantir a riqueza da cadeia produtiva das touradas e o alimento do filho do toureiro.
Presenciei no Brasil uma cena absurda. Um coelho fazia parte de uma brincadeira em uma festa. Várias casinhas (numeradas) tinham portas e prêmios. Quem acertasse a casa que o coelho entraria ganhava o prêmio. Um ativista, perturbou tanto um policial, que ele foi até lá e disse que prenderia o dono do coelho.
Pois bem… Acabou a brincadeira na hora… O dono da barraca, um pobre coitado de pouca instrução, virou-se para mulher e disse, vamos fazer o que com o coelho. Ela respondeu: Temos oito filhos… O jeito é ele ir para a panela.
Então a pergunta que faço é a seguinte: Depois de todo o ativismo, toda a repressão, todos os boicotes, todos os desempregados, toda a pressão, depois da tourada ser abolida como expressão de alguns povos e, para onde vão esses bovinos? Não seria para a panela?
August 17th, 2008 at 11:36 pm
Raoni
Compreendi muito bem os teus argumentos.
Se não era uma justificação, então porque é que referiste que as sociedades “civilizadas” fazem coisas piores do que as touradas? Isso sabemos nós. É evidente que há coisas muito piores.
Mas porque é que não nos devemos envergonhar por ter touradas? Só porque os outros países também fazem coisas más?
Essa foi a tua argumentação.
Sobre a parte do vegetarianismo, não discuto, porque este blog não serve para isso – porque o que está aqui em questão não é matar para sobreviver.
O que se discute aqui é: Fazer espectáculos à custa do sofrimento dos animais – Sim ou não?
Acho muito bem que sejas crítico e que ponhas as coisas em causa.
Mas parece-me que não aprofundas suficientemente essa crítica.
Os toureiros podem arranjar outras coisas para fazer. Se estás preocupado que passem fome, gostava de te descansar. Se quiseres até te deixo aqui uma lista de possíveis empregos, por ordem alfabética.
Claro que haveria menos touros, se não houvessem touradas. Mas seria uma existência mais própria e mais digna.
Também haveria mais Golfinhos se passassemos a organizar espectáculos lucrativos em que eles fossem torturados.
Ou seja: percebo, evidentemente, que há prioridades, e que não se pode pedir a alguém que está a lutar pela sobrevivência que respeite os animais (nem muitas outras coisas).
Mas por isso é que é tão grave que se façam Touradas em países civilizados. Porque o que está em questão não é a sobrevivência de ninguém. São lucros. É dinheiro que alguém quer ganhar à custa do sofrimento que provoca nos animais. E um sofrimento que só serve para divertir (quem se diverte com isso).
Gostava de pensar que no nível civilizacional em que me encontro, coisas destas já não têm justificação.