O objectivo de abolir as touradas pode ser considerado pequeno se tivermos em conta o universo do sofrimento animal. É verdade que, no que toca a animais e à forma como muitos são tratados pelo Homem, a tourada é actualmente uma parte muito pequena do problema.
Tem no entanto uma particularidade: é provavelmente a única agressão deliberada a um animal que aceitamos na nossa sociedade com o objectivo de nos divertir. Nem no circo, em que reconhecidamente os animais também sofrem, a agressão é explícita.
A abolição das touradas terá, nesse sentido, uma importância crucial, constituindo um “statement” por parte do estado, como reflexo de uma consciência social, em que valores como o respeito pelo sofrimento dos animais, a nobreza de carácter e a evolução cultural sobrepor-se-ão à tradição, aos costumes, à ignorância e ao egoísmo.
A partir daqui, e depois da sociedade afirmar peremptoriamente que não promove, não apoia e não permite o mau-trato gratuito a nenhuma espécie animal, poderá partir-se para conquistas maiores, num caminho que aponta para uma civilização bem formada, em que o sofrimento terá lugar apenas quando inevitável.
A educação da sociedade e a construção da sua cultura faz-se gradualmente, mas inevitavelmente com rupturas. Esta será importante, e a lição que dará a todos fará com que gerações em crescimento adquiram a sensibilidade e a beleza de carácter que as permitirá compreender não só que não é correcto nem nobre fazer sofrer animais por diversão mas, hopefully também outras coisas que, relacionadas, transcendem a mera salvaguarda do bem-estar animal.